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Vegetarianismo radical, por George Guimarães

29 de Agosto, 2010, por Uni-Veg

Há quem ache que matar animais é um direito natural do homem. Assim como já houve quem achasse natural na espécie humana o extermínio de uma raça por outra.

Texto escrito por George Guimarães. Fonte: Superinteressante.

O cheiro de sangue é forte e pode ser sentido de longe. No mercado a céu aberto, o cliente escolhe o animal que lhe parece mais suculento. O golpe na virilha do cachorro é rápido, mas a morte não vem depressa. O sofrimento dura alguns minutos. Os animais que recebem o golpe na jugular têm mais sorte. Mas os abatedores de cães temem a mordida e preferem atacar o animal por trás.

Essa cena se repete diariamente na China. “Que absurdo”, diriam os ocidentais, para quem os cães são animais de estimação. O mesmo diria um indiano diante da forma como tratamos bois e vacas. Não há diferença entre matar um boi e um cachorro para comer. O raciocínio vale também para o esfolamento de galinhas, porcos e outros animais.

Tortura, dor, sofrimento, desolação. Animais de várias espécies são tratados como mercadoria, apenas mais um bem de consumo. Morrem covardemente e seus cadáveres são vendidos aos pedaços. Crescem em ambientes artificiais, agressivos à sua natureza. Como pode um animal tão dócil quanto uma vaca ser privado do seu instinto materno só porque a indústria requer que se separe da sua cria quando esta tem apenas alguns dias de vida? Como as aves, animais territoriais, podem viver à razão de oito animais por metro quadrado e não se tornarem neuróticas? Isso para não falar das torturas exercidas nos testes dos laboratórios científicos, mesmo existindo alternativas para o desenvolvimento de novos produtos.

Há quem ache um direito natural do homem submeter os animais a todo tipo de crueldade, assim como já foi natural, no passado, que algumas pessoas se julgassem superiores às outras pela diferença da cor da pele ou do credo religioso. Foi preciso que grupos abolicionistas e humanistas surgissem, mesmo sendo ridicularizados e discriminados no início, para que os homens enxergassem o absurdo na forma como tratavam outros seres humanos. Haverá um momento em que o homem, auxiliado por um novo tipo de abolicionistas – que falam por seres que não podem falar por si – , saberá que os outros animais não são sua propriedade. São seres com direito à vida.

Enquanto esse dia não chega, pagamos um alto preço sofrendo de doenças ligadas ao consumo de produtos animais. Obesidade, doenças cardiovasculares, diversos tipos de câncer, alergias e outros problemas de saúde que afetam boa parte da população de países desenvolvidos como os Estados Unidos. Bactérias se tornam mais resistentes graças ao uso em massa de antibióticos nos sistemas intensivos de criação animal.
A sociedade ganha uma dose extra de violência com rodeios, farras do boi, rinhas de cães e outras atrocidades em que as crianças aprendem desde cedo qual é a lei que impera no reinado humano. Um império cuja herança é incerta, já que 30% da devastação da floresta amazônica é destinada à formação de pastos para o gado. A população de animais de corte nos EUA produz 130 vezes mais lixo que a população humana daquele país. É sabido que quando consumimos na escala mais baixa da cadeia alimentar (vegetais), reduzimos o consumo dos recursos naturais em até 90%.

Esses são alguns dos motivos pelos quais me abstenho do consumo de qualquer produto animal, incluindo leite, ovos, mel, couro, lã, seda, cosméticos que tenham sido testados em animais etc. O termo atribuído a esse estilo de vida é vegan, chamado por alguns de vegetarianismo radical – apesar de não sermos tão radicais quanto aqueles que estouram os miolos de um animal inocente apenas para sentir o sabor de sua carne por alguns segundos.

Como nutricionista, e apoiado por vasta literatura científica, posso dizer que o único produto animal essencial à nutrição humana é o leite – que deve ser o da própria espécie e ingerido apenas durante o período de amamentação. Depois dessa fase, os alimentos de origem vegetal são capazes de suprir todas as necessidades nutricionais de qualquer pessoa. E com vantagens, por se tratar de uma dieta isenta de colesterol e rica em fibras, vitaminas e minerais. Para aqueles que acreditam que os alimentos de origem animal são necessários para suprir as necessidades de proteína, ferro e cálcio, recomendo um estudo mais aprofundado. É muito fácil desenhar uma dieta vegan com 200% das recomendações de ferro, 150% de proteína e 100% de cálcio. É preciso que o debate seja informado pela literatura científica e não por campanhas publicitárias pagas pela indústria da carne e do leite.



Vegetarianos tem o QI mais alto

26 de Agosto, 2010, por Uni-Veg

Saiu na revista Super:

Vegetarianos são mais inteligentes

É o que dizem pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido. Eles analisaram os hábitos alimentares e o QI de oito mil voluntários num período de 20 anos (fizeram testes quando todos tinham dez anos de idade e de novo aos 30) e notaram que o QI dos que seguiam dietas vegetarianas era, em média, cinco pontos mais alto do que o daqueles que comiam carne regularmente. Com os pontinhos a mais, os vegetarianos também eram mais propensos a ter diploma de curso superior e empregos melhores.
Por quê? Os caras ainda não sabem ao certo. Mas, até então, eles trabalham com duas hipóteses: (1) a alimentação saudável do vegetariano poderia, de algum forma, aumentar sua capacidade cerebral (explicação que não acham tão provável); e (2) as pessoas de QI mais alto podem ser mais propensas a se preocuparem com o bem-estar dos animais, além de serem mais atentas aos benefícios de uma dieta saudável – o que as levaria direto para os braços do vegetarianismo (nessa eles botam uma fé especial e prometem investigar mais).
Boa “vingança” para quem já foi motivo de piada ao pedir um cachorro quente completo, mas sem salsicha na banquinha da esquina, né? Tenho uma amiga que faz isso, nem é brincadeira.

Compartilhado por Daniel De NardiLeia a matéria no site da revista Superinteressante.

Você sabia?
Vegetarianos foram também: Pitágoras, Sócrates, Ovídio, Kafka, Schopenhauer, Darwin, Rousseau, Bernard Shaw, Voltaire, Isaac Newton, Leon Tolstoi, Isadora Duncan, John Lennon, Linda McCartney e tantos outros que a história não registrou. (Fonte:  DeRose, no livro Alimentação vegetariana: chega de abobrinha)



Carnivorismo

12 de Junho, 2010, por Montagna

Carnívoro é o animal que abate a própria presa e a devora com o sangue ainda quente. Exemplos: leão, tigre, onça etc. Aquele animal que, em geral ou sempre, não abate a própria presa, e se alimenta das carnes e restos de bichos mortos por outros animais, não é o carnívoro: é o carniceiro. Exemplos: abutre, urubu, hiena.

Carnívoro come sem temperar, sem assar, sem cozer, com sangue quente

Carnívoro de verdade come carne sem temperar, sem assar, sem cozer, com o sangue ainda quente e, geralmente, com o animal ainda agonizando.

O carnívoro tem dentes afiados dignos de dilacerar músculos. Por outro lado, a arcada dentária do ser humano é similar (para não dizer idêntica) à dos animais vegetarianos. Ou isto seria uma falácia, e a estrutura dentária humana é sim parecida com a dos carnívoros?

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Dentes de um animal carnívoro. São muito parecidos com os dos seres humanos, não?

Lembre-se: o ser humano que come carnes não é carnívoro: é onívoro, pois come de tudo (como o porco ["cheiro de porco"] e o bode["(cheiro de bode"]). Mas caso seja feita questão de ter o radical “carn” no rótulo do sistema alimentar, então que seja lhe seja aplicado o rótulo de carniceiro, pois carnívoro de verdade ele não é.



Torta de queijo com brócolis

12 de Junho, 2010, por Uni-Veg

Recebemos esta receita sem indicação da fonte. Se você souber, por favor nos avise através do e-mail receitas@uni-veg.org.

Ingredientes

  • 2 xícaras de leite;
  • 2 colheres de farinha de trigo;
  • 1 lata de creme de leite light;
  • 2 ovos [nunca compre ovos de granja, repudie esta indústria; sempre busque ovos de colônias, onde há galinhas que ciscam e andam com liberdade sobre a terra. É fácil, informe-se para descobrir fontes na sua região.];
  • 1 pacote de pão de forma fatiado e sem casca;
  • 3 tomates sem pele e sem sementes picados;
  • 2 maços de brócolis refogado;
  • bastante queijo prato ralado;
  • especiarias (são os temperos, tais como açafrão, páprica, curry, coentro, manjericão etc.)

Modo de fazer

Bata no liquidificador o leite, a farinha, creme de leite e os ovos. Tempere da maneira que melhor lhe aprouver. A sugestão é adotar páprica picante, curry e uma pitada de cardamomo em pó. Coloque sempre quantidades mínimas de sal. Vá refinando seu paladar até que o pouco torne-se bastante. Coloque um pouco do molho no fundo da forma de assar só para untar a superfície. Arrume as fatias de pão e cubra com o molho, os tomates, o brócolis e o queijo; repita as camadas até que os ingredientes acabem. Termine cobrindo com queijo e leve para assar.



Espírito de porco

11 de Junho, 2010, por Montagna

Saiu no Diário do Nordeste esta matéria escrita por Manuel Soares Bulcão Neto.

Ele tem tanto direito à vida quanto os cachorrinhos

Ele tem tanto direito à vida quanto os cachorrinhos

Espírito de porco

Mês passado, depois de almoçar um lombo de porco delicioso preparado por d. Josina, minha secretária do lar, deitei-me feito um poltrão saciado e liguei a TV. Em um canal a cabo, passava um documentário sobre… porcos, e me surpreendi ao ponto da indigestão com as mais recentes descobertas acerca deste mamífero. Com efeito, pesquisas etológicas apontam que o porco não só é muito mais inteligente que o cão doméstico: também é capaz de reconhecer a própria imagem no espelho, não a confundindo com outro suíno. Significa dizer que o leitão de pocilga, assim como o ser humano e meia dúzia de outras espécies (pongídeos, golfinhos e elefantes), possui autopercepção, consciência de si e, portanto, uma “personalidade”. Esse documentário me fez lembrar da balela, dita por René Descartes, segundo a qual todos os animais, exceto o homem, são “autômatos sem alma” e, por isso, incapazes de experimentar dor (embora aparentem senti-la). O Filósofo, em sua obra “Discurso do Método”, também afirmou que nós, humanos, devido à nossa “idiossincrática” faculdade de pensar, temos o direito de “nos tornar senhores e possuidores da natureza”, inclusive de todos os animais. Ora, a incapacidade da ciência de prever, em tempo para salvar a vida de centenas de milhares ou milhões de indivíduos, certos acidentes naturais (terremotos, erupções vulcânicas, furacões, tornados, tsunamis, o choque de um cometa ou asteroide…), indica que, muito provavelmente, jamais seremos senhores sequer da fina camada do planeta em que vivemos. Aliás, a mudança climática radical que ora desponta não só diminui essa chance como aumenta a probabilidade de virmos a nos extinguir lenta e dolorosamente – de terminarmos nosso tempo da mesma forma como o começamos: uma pandemia de guerras entre tribos de selvagens. (Grande probabilidade, entretanto, não é certeza: ainda há tempo e condições de mudarmos o rumo dos acontecimentos). Quanto ao efeito desse antropocentrismo cartesiano na nossa relação com os outros bichos, podemos vê-lo cruamente na pecuária industrial. Se, nas fábricas da morte nazistas, a matéria-prima (judeus, eslavos, comunistas, ciganos…) era, para o conforto moral dos verdugos, concebida como sub-humana, nas fazendas industriais modernas a rês de qualquer gado é “desalmada” quando reduzida ao estatuto biotecnológico e puramente físico de “sistema de conversão de proteína vegetal em proteína animal”. Assim, fica mais fácil tratá-la, do nascimento ao abate, do modo mais eficiente e lucrativo possível, o que, em regra, vai de encontro ao seu modo de vida natural e gera grande sofrimento. Nas granjas, para que pintos se transformem em frangos em 45 dias (ainda um bebê, dado que a expectativa de vida de um galináceo é de sete anos), são eles forçados a comer o tempo todo, à custa do sono. Para tanto, vivem sua existência curta e miserável sob barulho e luminosidade constante. Pior condição é a do bezerro destinado à vitela: sabe por que sua carne é tenra e rosada? Porque, desde o nascimento, é impedido de se movimentar (i.e., de desenvolver músculos), submetido a uma dieta pobre em ferro e a viver a maior parte do tempo na escuridão.

Não é minha intenção defender o vegetarianismo, nem que só se consuma bichos criados soltos, como a galinha caipira (que tem peito de tísico e mal alimenta uma pessoa). Pretendo apenas lembrar que uma das nossas tarefas de ser moral é minimizar a dor do mundo, e que nossa própria existência depende de uma mudança radical de atitude: substituir o humanismo antropocêntrico por outro, aquele assim definido por Claude Lévi-Strauss: “Um humanismo adequadamente ordenado não pode começar espontaneamente, mas deve colocar o mundo antes da vida, a vida antes do homem e o respeito pelos outros antes do egoísmo”.

Ensaísta



Os gladiadores eram vegetarianos

12 de Maio, 2010, por Montagna

Para ter mais força e resistência, estes brutais lutadores adotavam uma dieta vigorosa e sem carnes.

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Quando alguém achar que é preciso de carnes para ficar forte, conteste com a indignação dos justos!
Se você não for bom de dialética, chame o Éder Jofre.

Fonte: UOL Vídeos via Blog do DeRose.



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