Falar em abolir o consumo de carne na terra do churrasco pode até soar como um insulto, mas é o que algumas pessoas estão fazendo. São os adeptos do vegetarianismo, um grupo que vem crescendo nos últimos anos a ponto de virar tema de estudo de especialistas. Em uma das mais recentes obras sobre o assunto, Vegetarianismo e Ciência (Editora Alaúde, 252 páginas, R$ 39), o cardiologista e nutrólogo Julio César Acosta Navarro, com 20 anos de sua carreira dedicados a descobrir os efeitos da dieta livre de produtos de origem animal no organismo, garante que abolir a carne das refeições não oferece qualquer prejuízo à saúde. Para Navarro, o ser humano não nasceu para ser carnívoro.
— Essa história de que na dieta sem carne há deficiência de proteína, vitaminas e sais minerais é mítica [...]
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Médico garante que não comer carne não oferece qualquer prejuízo à saúde
Terça-feira, 5 de Abril, 2011Direitos Animais
Segunda-feira, 18 de Outubro, 2010O gênio vegetariano Voltaire respondeu a Descartes no seu Dicionário Filosófico:
Que ingenuidade, que pobreza de espírito, dizer que os animais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam! Será porque falo que julgas que tenho sentimento, memória, idéias? Pois bem, calo-me. Vês-me entrar em casa aflito, procurar um papel com inquietude, abrir a escrivaninha, onde me lembra tê-lo guardado, encontrá-lo, lê-lo com alegria. Percebes que experimentei os sentimentos de aflição e prazer, que tenho memória e conhecimento.Vê com os mesmos olhos esse cão que perdeu o amo e procura-o por toda parte com ganidos dolorosos, entra em casa agitado, inquieto, desce e sobe e vai de aposento em aposento e enfim encontra no gabinete o ente amado, a quem manifesta sua alegria pela ternura dos ladridos, com saltos e carícias. Bárbaros agarram esse cão, que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para mostrarem-te suas veias mesentéricas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas. Responde-me maquinista, teria a natureza entrosado nesse animal todos os órgãos do sentimento sem objectivo algum? Terá nervos para ser insensível? Não inquines à natureza tão impertinente contradição.
Adquira a nobre alimentação que os maiores luminares da humanidade adotam.
Vegetarianismo radical, por George Guimarães
Domingo, 29 de Agosto, 2010Há quem ache que matar animais é um direito natural do homem. Assim como já houve quem achasse natural na espécie humana o extermínio de uma raça por outra.
Texto escrito por George Guimarães. Fonte: Superinteressante.
O cheiro de sangue é forte e pode ser sentido de longe. No mercado a céu aberto, o cliente escolhe o animal que lhe parece mais suculento. O golpe na virilha do cachorro é rápido, mas a morte não vem depressa. O sofrimento dura alguns minutos. Os animais que recebem o golpe na jugular têm mais sorte. Mas os abatedores de cães temem a mordida e preferem atacar o animal por trás.
Essa cena se repete diariamente na China. “Que absurdo”, diriam os ocidentais, para quem os cães são animais de estimação. O mesmo diria um indiano diante da forma como tratamos bois e vacas. Não há diferença entre matar um boi e um cachorro para comer. O raciocínio vale também para o esfolamento de galinhas, porcos e outros animais.
Tortura, dor, sofrimento, desolação. Animais de várias espécies são tratados como mercadoria, apenas mais um bem de consumo. Morrem covardemente e seus cadáveres são vendidos aos pedaços. Crescem em ambientes artificiais, agressivos à sua natureza. Como pode um animal tão dócil quanto uma vaca ser privado do seu instinto materno só porque a indústria requer que se separe da sua cria quando esta tem apenas alguns dias de vida? Como as aves, animais territoriais, podem viver à razão de oito animais por metro quadrado e não se tornarem neuróticas? Isso para não falar das torturas exercidas nos testes dos laboratórios científicos, mesmo existindo alternativas para o desenvolvimento de novos produtos.
Há quem ache um direito natural do homem submeter os animais a todo tipo de crueldade, assim como já foi natural, no passado, que algumas pessoas se julgassem superiores às outras pela diferença da cor da pele ou do credo religioso. Foi preciso que grupos abolicionistas e humanistas surgissem, mesmo sendo ridicularizados e discriminados no início, para que os homens enxergassem o absurdo na forma como tratavam outros seres humanos. Haverá um momento em que o homem, auxiliado por um novo tipo de abolicionistas – que falam por seres que não podem falar por si – , saberá que os outros animais não são sua propriedade. São seres com direito à vida.
Enquanto esse dia não chega, pagamos um alto preço sofrendo de doenças ligadas ao consumo de produtos animais. Obesidade, doenças cardiovasculares, diversos tipos de câncer, alergias e outros problemas de saúde que afetam boa parte da população de países desenvolvidos como os Estados Unidos. Bactérias se tornam mais resistentes graças ao uso em massa de antibióticos nos sistemas intensivos de criação animal.
A sociedade ganha uma dose extra de violência com rodeios, farras do boi, rinhas de cães e outras atrocidades em que as crianças aprendem desde cedo qual é a lei que impera no reinado humano. Um império cuja herança é incerta, já que 30% da devastação da floresta amazônica é destinada à formação de pastos para o gado. A população de animais de corte nos EUA produz 130 vezes mais lixo que a população humana daquele país. É sabido que quando consumimos na escala mais baixa da cadeia alimentar (vegetais), reduzimos o consumo dos recursos naturais em até 90%.Esses são alguns dos motivos pelos quais me abstenho do consumo de qualquer produto animal, incluindo leite, ovos, mel, couro, lã, seda, cosméticos que tenham sido testados em animais etc. O termo atribuído a esse estilo de vida é vegan, chamado por alguns de vegetarianismo radical – apesar de não sermos tão radicais quanto aqueles que estouram os miolos de um animal inocente apenas para sentir o sabor de sua carne por alguns segundos.
Como nutricionista, e apoiado por vasta literatura científica, posso dizer que o único produto animal essencial à nutrição humana é o leite – que deve ser o da própria espécie e ingerido apenas durante o período de amamentação. Depois dessa fase, os alimentos de origem vegetal são capazes de suprir todas as necessidades nutricionais de qualquer pessoa. E com vantagens, por se tratar de uma dieta isenta de colesterol e rica em fibras, vitaminas e minerais. Para aqueles que acreditam que os alimentos de origem animal são necessários para suprir as necessidades de proteína, ferro e cálcio, recomendo um estudo mais aprofundado. É muito fácil desenhar uma dieta vegan com 200% das recomendações de ferro, 150% de proteína e 100% de cálcio. É preciso que o debate seja informado pela literatura científica e não por campanhas publicitárias pagas pela indústria da carne e do leite.
Bibhash Neupane: orgulho de ser vegetariano!
Quinta-feira, 22 de Abril, 2010
Concurso de redação: Orgulhoso de ser vegetariano
Estudante de oitava série, Bibhash Neupane, ganha US $ 1.000 para seu ensaio sobre a diversidade
Por Natalie Dicou em The Salt Lake Tribune.
O estudante do oitavo da Glendale Middle School Bibhash Neupane não poderia ter se sentido mais diferente de seus colegas quando sua família migrou do Nepal para os E.U.A. quando ele tinha 7 anos. Ele não apenas não se parecia com muitos de seus colegas de Norman, Oklahoma, como também ele era um vegetariano jogado em uma sociedade de devoradores de carne.
Bibhash, que se mudou para Salt Lake City como um aluno de quinta série, escreveu sobre suas experiências para um concurso de redação promovido pela Associação Nacional de Utah para Educação Multicultural. Bibhash e outros quatro foram nomeados os vencedores, cada um embolsando uma quantia de mil dólares.
A Associação desafiou os alunos a responder às perguntas “O que faz de você diferente? “Que desafios você enfrentou por causa de sua diversidade?”, “Como é que esses desafios fizeram você crescer, ser corajoso, ter esperança?” e “Como que a sua diversidade ajudou você em sua vida?”
“Vegetariano. Uma das poucas palavras que chame a atenção de uma pessoa” – começou Bibhash em seu ensaio vencedor.
Bibhash passou a descrever seus primeiros dias como um estudante em os E.U.A.
“Quando cheguei à América, fiquei chocado”, ele escreveu. “Fiquei surpreso ao ver pessoas tão diferentes …. … Então, na escola, eu apenas fiquei quieto e fiz o meu trabalho. Eu nem sequer pedia ajuda quando eu precisava. Então, algumas crianças vieram até mim e me perguntaram o meu nome. Eu não respondi. Fiquei olhando para o papel na minha frente.”
Bibhash passou a descrever como seu vegetarianismo abriu as portas para se encontrar com amigos.
“Eu fui ao almoço e tinha pizza de pepperoni, banana e leite. Fui sentar na mesa em que estava a minha turma. Sentei sozinho e comecei a comer minha banana. Eu devia estar mascando por um longo tempo, porque um menino veio e me perguntou se eu ia comer a minha pizza. Eu disse que não e expliquei para ele que eu era vegetariano e que eu não como carne. O menino correu para os seus amigos e disse-lhes que eu era um vegetariano. Logo, metade da turma foi se aglomerando ao redor de mim. Eram perguntas como “você só come verduras?” ou “Como você obtém sua proteína?”.
O vai-e-vem o conduziu às amizades em seu novo estado de Oklahoma.
“Eu tive alguns dos melhores momentos nestes dois anos”, escreveu Bibhash sobre seu tempo lá.
Bibhash disse que “há uma tonelada de vegetarianos no Nepal”. Ele explicou por que ele opta por se abster de carne. “Uma das razões é vegetarianos vivem mais tempo”, Bibhash disse, “e eu queria ver como o mundo vai mudar mais tarde na vida.”
Ele é também um amante dos animais. “Eu tenho tentado convencer meus pais a ter um cachorro ou um gato há cerca de nove anos”, disse ele.
A redação de Bibhash foi uma das 192 submetidas ao concurso do primeiro ensaio anual de estudantes de todo o estado.
“Eu acho que esse número representa realmente o grande número de diversos estudantes em Utah, que são corajosos o suficiente para escrever sobre suas experiências”, disse Ramona Maile Kutri, o presidente da Associação.
Os ensaios em breve serão compilados em um livro, que estará disponível para compra no utahname.org. “Queríamos celebrar diversos estudantes em Utah, que tem aspirações além do ensino médio”, disse Kutri. “Queremos não só celebrá-los, mas nós queremos apoiá-los, e uma das melhores maneiras de apoiá-las é com o dinheiro.”
Bibhash – que investiu seu cheque em um iPod Touch – desde então, fez muitos amigos em Utah também. Ele se lembra de quando sua professora de Inglês, Elizabeth Buirley, anunciou à sua classe que um aluno de Glendale foi um dos vencedores do concurso de redação da Associação Nacional de Utah para Educação Multicultural.
Um dos colegas de Bibhash, brincou lançando-se em um discurso de aceitação do prêmio, mas depois Elizabeth revelou o verdadeiro vencedor.
“Eu comecei a sorrir”, disse ele. “Eu fiz algumas piadas, e disse: ” Quem quer meu autógrafo?”




