Quero me tornar vegetariano! Já sou vegetariano e quero informações, receitas, dicas... Querem que eu volte a comer carne

Entradas com Etiqueta ‘consciência’

Direitos Animais

Segunda-feira, 18 de Outubro, 2010

O gênio vegetariano Voltaire respondeu a Descartes no seu Dicionário Filosófico:

Que ingenuidade, que pobreza de espírito, dizer que os animais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam! Será porque falo que julgas que tenho sentimento, memória, idéias? Pois bem, calo-me. Vês-me entrar em casa aflito, procurar um papel com inquietude, abrir a escrivaninha, onde me lembra tê-lo guardado, encontrá-lo, lê-lo com alegria. Percebes que experimentei os sentimentos de aflição e prazer, que tenho memória e conhecimento.Vê com os mesmos olhos esse cão que perdeu o amo e procura-o por toda parte com ganidos dolorosos, entra em casa agitado, inquieto, desce e sobe e vai de aposento em aposento e enfim encontra no gabinete o ente amado, a quem manifesta sua alegria pela ternura dos ladridos, com saltos e carícias. Bárbaros agarram esse cão, que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para mostrarem-te suas veias mesentéricas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas. Responde-me maquinista, teria a natureza entrosado nesse animal todos os órgãos do sentimento sem objectivo algum? Terá nervos para ser insensível? Não inquines à natureza tão impertinente contradição.

Adquira a nobre alimentação que os maiores luminares da humanidade adotam.

Vegetarianos tem o QI mais alto

Quinta-feira, 26 de Agosto, 2010

Saiu na revista Super:

Vegetarianos são mais inteligentes

É o que dizem pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido. Eles analisaram os hábitos alimentares e o QI de oito mil voluntários num período de 20 anos (fizeram testes quando todos tinham dez anos de idade e de novo aos 30) e notaram que o QI dos que seguiam dietas vegetarianas era, em média, cinco pontos mais alto do que o daqueles que comiam carne regularmente. Com os pontinhos a mais, os vegetarianos também eram mais propensos a ter diploma de curso superior e empregos melhores.
Por quê? Os caras ainda não sabem ao certo. Mas, até então, eles trabalham com duas hipóteses: (1) a alimentação saudável do vegetariano poderia, de algum forma, aumentar sua capacidade cerebral (explicação que não acham tão provável); e (2) as pessoas de QI mais alto podem ser mais propensas a se preocuparem com o bem-estar dos animais, além de serem mais atentas aos benefícios de uma dieta saudável – o que as levaria direto para os braços do vegetarianismo (nessa eles botam uma fé especial e prometem investigar mais).
Boa “vingança” para quem já foi motivo de piada ao pedir um cachorro quente completo, mas sem salsicha na banquinha da esquina, né? Tenho uma amiga que faz isso, nem é brincadeira.

Compartilhado por Daniel De NardiLeia a matéria no site da revista Superinteressante.

Você sabia?
Vegetarianos foram também: Pitágoras, Sócrates, Ovídio, Kafka, Schopenhauer, Darwin, Rousseau, Bernard Shaw, Voltaire, Isaac Newton, Leon Tolstoi, Isadora Duncan, John Lennon, Linda McCartney e tantos outros que a história não registrou. (Fonte:  DeRose, no livro Alimentação vegetariana: chega de abobrinha)

Espírito de porco

Sexta-feira, 11 de Junho, 2010

Saiu no Diário do Nordeste esta matéria escrita por Manuel Soares Bulcão Neto.

Ele tem tanto direito à vida quanto os cachorrinhos

Ele tem tanto direito à vida quanto os cachorrinhos

Espírito de porco

Mês passado, depois de almoçar um lombo de porco delicioso preparado por d. Josina, minha secretária do lar, deitei-me feito um poltrão saciado e liguei a TV. Em um canal a cabo, passava um documentário sobre… porcos, e me surpreendi ao ponto da indigestão com as mais recentes descobertas acerca deste mamífero. Com efeito, pesquisas etológicas apontam que o porco não só é muito mais inteligente que o cão doméstico: também é capaz de reconhecer a própria imagem no espelho, não a confundindo com outro suíno. Significa dizer que o leitão de pocilga, assim como o ser humano e meia dúzia de outras espécies (pongídeos, golfinhos e elefantes), possui autopercepção, consciência de si e, portanto, uma “personalidade”. Esse documentário me fez lembrar da balela, dita por René Descartes, segundo a qual todos os animais, exceto o homem, são “autômatos sem alma” e, por isso, incapazes de experimentar dor (embora aparentem senti-la). O Filósofo, em sua obra “Discurso do Método”, também afirmou que nós, humanos, devido à nossa “idiossincrática” faculdade de pensar, temos o direito de “nos tornar senhores e possuidores da natureza”, inclusive de todos os animais. Ora, a incapacidade da ciência de prever, em tempo para salvar a vida de centenas de milhares ou milhões de indivíduos, certos acidentes naturais (terremotos, erupções vulcânicas, furacões, tornados, tsunamis, o choque de um cometa ou asteroide…), indica que, muito provavelmente, jamais seremos senhores sequer da fina camada do planeta em que vivemos. Aliás, a mudança climática radical que ora desponta não só diminui essa chance como aumenta a probabilidade de virmos a nos extinguir lenta e dolorosamente – de terminarmos nosso tempo da mesma forma como o começamos: uma pandemia de guerras entre tribos de selvagens. (Grande probabilidade, entretanto, não é certeza: ainda há tempo e condições de mudarmos o rumo dos acontecimentos). Quanto ao efeito desse antropocentrismo cartesiano na nossa relação com os outros bichos, podemos vê-lo cruamente na pecuária industrial. Se, nas fábricas da morte nazistas, a matéria-prima (judeus, eslavos, comunistas, ciganos…) era, para o conforto moral dos verdugos, concebida como sub-humana, nas fazendas industriais modernas a rês de qualquer gado é “desalmada” quando reduzida ao estatuto biotecnológico e puramente físico de “sistema de conversão de proteína vegetal em proteína animal”. Assim, fica mais fácil tratá-la, do nascimento ao abate, do modo mais eficiente e lucrativo possível, o que, em regra, vai de encontro ao seu modo de vida natural e gera grande sofrimento. Nas granjas, para que pintos se transformem em frangos em 45 dias (ainda um bebê, dado que a expectativa de vida de um galináceo é de sete anos), são eles forçados a comer o tempo todo, à custa do sono. Para tanto, vivem sua existência curta e miserável sob barulho e luminosidade constante. Pior condição é a do bezerro destinado à vitela: sabe por que sua carne é tenra e rosada? Porque, desde o nascimento, é impedido de se movimentar (i.e., de desenvolver músculos), submetido a uma dieta pobre em ferro e a viver a maior parte do tempo na escuridão.

Não é minha intenção defender o vegetarianismo, nem que só se consuma bichos criados soltos, como a galinha caipira (que tem peito de tísico e mal alimenta uma pessoa). Pretendo apenas lembrar que uma das nossas tarefas de ser moral é minimizar a dor do mundo, e que nossa própria existência depende de uma mudança radical de atitude: substituir o humanismo antropocêntrico por outro, aquele assim definido por Claude Lévi-Strauss: “Um humanismo adequadamente ordenado não pode começar espontaneamente, mas deve colocar o mundo antes da vida, a vida antes do homem e o respeito pelos outros antes do egoísmo”.

Ensaísta

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